quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"...O rumo..."





"...que é feito dos porquês, do como, e porque não?


usares de quando em vez um ponto de interrogação?..."








Seguras-te com força contra o meu peito e fechas os olhos numa tentativa concomitante de sentir mais do que o meu corpo, mais do que o calor que emano junto á tua pele, mais do que o bater gritante do meu coração em colapso na tua presença. Não demoro a entender que a paz com que te alimento te adormeceu. A lareira ilumina o teu rosto dando-te um ar nocturno irresistível. O teu respirar seguro de si e a tranquilidade com que me devoras a atenção impedem-me de te beijar e ceder á vontade de te ter a todo o momento. Pergunto-me se conseguirás entrar no meu mundo dos sonhos. No mundo onde me agarras quando sentes que a tua paixão está em fase de rescaldo iminente, onde sempre que me beijas te dás a mim para que cuide de ti num espaço temporal mais largo que o “para sempre”, onde o teu olhar me oferece um amor que os Deuses invejariam se o conhecessem, matariam para o sentir, e morreriam ao senti-lo. Conseguirás tu interpretar as memórias sonhadas ou quem sabe fazer uso dos meus sentidos para vivê-las? Irás tu algum dia sentir as réplicas dos tremores e arrepios, de frequência aleatória, que sinto quando me falas de coração nas mãos? Sentir o frio colossal que me invade, com pontadas em coordenadas corporais distintas, quando as tuas mãos percorrem o meu corpo e a tua respiração se alastra no meu ouvido causando sensações em tudo semelhantes às de uma hipnose controlada pela brisa suave que, qual força da natureza, crias do nada? Ou sentir o calor mais reconfortante que algum dia possa existir quando a tua língua se escapula numa aventura desenfreada de exploração do meu pescoço salgado por suores que, na sua rebeldia, migram para atmosferas de menor desejo, e terminar com um olhar capaz de estalar a alma mais impenetrável, de a rasgar por dentro e tirar de todo um ser uma razão de ser? Se nunca o sentires, lembra-te, tudo não passa de um sonho.
Sinto-te a recostares-te em mim em busca de maior conforto, e trago o cobertor para mais perto do teu pescoço. Beijo-te as maças do rosto, e faço os meus dedos mimarem a tua pele, enquanto os meus lábios fogem para os teus para um beijo do qual jamais te lembrarás mas quem sabe o teu coração decorará. Sinto o teu cheirinho. Ele invade-me com anseios de outras vidas que tornam este mundo tão insignificante perante ti. Perdoa-me tu a minha pequenez, deixas-me pedir-to?

1 comentário:

Ângela Raquel disse...

E pronto, encontro-me perante mais um texto que não tem discrição possível. É um excelente trabalho teu, no meio de todos os outros distinguidos pela excelência.
Beijinho, Diogo (: